sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

sábado, 2 de dezembro de 2017

Crônicas da vida (Um império em casa).

Um império em casa

Quando cheguei em casa percebi que não estava sozinho. E ao me aproximar da varanda não acreditei naquilo que os meus olhos viam, um lindo enxame. Fiquei preocupado e tenso, tratei logo de fechar a porta. Imediatamente liguei para alguns contatos. O primeiro logo disse: Vamos exterminar com elas, você e sua cachorrinha estão correndo risco de vida. Fiquei mais tenso ainda. Liguei para outro contato, esse foi mais sensato, disse: Elas somente estão migrando, aguarde dois dias que elas irão embora, caso elas permaneçam não mate, apenas remova elas para outro local. Mas o que mais gostei foi minha vizinha. Quando mostrei o enxame ela ficou literalmente azul. E disse: Elas somente pousam em local que existe paz, gratidão e harmonia. Concordei com ela, pois minha casa é meu santuário. Enfim, vou aguardar elas partirem. Só sei que estou lisonjeado em receber uma rainha e todo o seu exército em minha casa. Irei respeita-las. Imagino que estejam em migração, e encontraram aqui o aconchego necessário para depois continuarem sua viagem. Sei que existe por trás disso uma grande lição da mãe natureza. Que devemos respeitar o espaço do outro, pois agindo dessa forma nunca seremos atacados. Só atacamos quando somos agredidos. Por isso respeitem sempre a forma do outro pensar, agir e ser. Pois desta forma também seremos respeitados. Somente assim viveremos em paz. Gratidão por essa experiência.

Enxame no teto da varanda (foto arquivo pessoal).

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Existir e Viver

Existo quando desconheço minha capacidade para servir a humanidade.
Mas vivo quando reconheço meu papel diante de um mundo doente.

Existo quando não consigo me comover com o sofrimento e o lamento.
Mas vivo quando enxergo com os olhos d´alma e acolho com muita calma.

Existo quando meu coração apenas pulsa repulsa e expulsa a benquerença.
Mas vivo quando meu peito vibra apreço e reconheço que não tem preço.

Existo quando apenas sinto a dor do trabalho árduo.
Mas vivo quando meu ofício e serviço não representa sacrifício.  

Existo quando o relógio é o único refúgio para fugir do refletir. 
Mas vivo quando esqueço o tempo e amanheço noutro-tempo.

Existo quando a solidão faz lembrar da importância do perdão.
Mas vivo quando existe a clemência em nossa convivência.  

Existo...
Vivo...

Existo quando hesito 
Vivo quando convivo

Vivo com êxito
Existo sem objetivo 

Imprudência na existência
Indulgencia na vivência 

Vivo de aparência
Existo com frequência

Vivo sozinho
Existo para muitos

Vivo me perguntando
Existo sem respostas

Vivo?
Existo?

Existo na vida.
E vivo para existir.

Bruno Pitanga

Foto: Arquivo pessoal.



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Héroi

O herói que mora dentro de nós.
Sei que tem uma força, uma arma secreta.
Mas ele está fraco, calado, refém do poderoso ego.
Como se estivesse kriptonizado, enfraquecido.

Ele precisa despertar, desadormecer para levantar voo. 
Mas sua supremacia foi banida, seus dons dormem.
Perdeu as suas esperanças pela humanidade e está confuso.
Rendeu-se ao mundo sem rumo.

Sei que deseja ocupar seu espaço novamente.
Quero ajuda-lo a acordar, talvez com um beijo fraternal.
Ou mostrando o caos que está vivendo o planeta.
Talvez assim ele perceba sua importância para salvar o universo.

Quero reviver o herói do perdão que repousa dentro de mim.
Seu principal inimigo é a condenação que sempre questiona seu poder.
Brigam feito cães raivosos para ocupar o império da alma.
Mas o perdão não luta, tem misericórdia, e acaba com a discórdia.

Preciso animar o herói do amor que esfriou dentro de mim.
Seu arqui-inimigo é a animosidade que subjulga seu potencial. 
Engalfinham-se iguais aos lutadores em um combate sangrento e mortal.
Mas o amor nunca morre, tem respeito, e toca o espírito do adversário.

Desejo estimular o herói do altruísmo que descansa dentro de mim.
Seu mortal inimigo é o egoísmo que neutraliza sua soberania.
Disputam o protagonismo no palco da consciência plena. 
Mas o altruísmo sempre vence, tem abnegação, e finaliza com razão.

Almejo reanimar o herói da vida que jaz dentro de mim.
Seu fatal inimigo é o desamino e a depressão que paralisam sua vitalidade.
Reclamam o controle e o comando da mente de todos os seres viventes.
Mas a vida nunca desiste, tem vigor, e sobrevive ao conflito com muito fervor.

O herói e o vilão disputam seu lugar na alma.
Herói que muitas vezes é calado pelo vilão. 
Precisamos escudar essa força que nos habita. 
O herói que mora dentro de nós.

sábado, 22 de julho de 2017

A Semente do Amor

O amor é assim, como uma semente. Para germinar precisa de cuidados especiais. Se você deseja permitir que o amor nasça dentro da sua alma, se deseja que sua luz brilhe ainda mais, se deseja que seu olhar transmita a sua alegria de viver; plante o amor. A receita é simples, basta segui-la com muita atenção.
O primeiro passo é plantar a semente em um local adubado. Para que ela vingue é importante pensar no amor com muito clamor, pense diariamente, não pare de pensar nele. Não pense no seu antônimo, somente pense nos sinônimos do amor. Assim ele vai encontrar o terreno arado e fertilizado para criar raízes profundas e nunca ser abalado.
O segundo passo é regar o amor. Borrife e transmita boas vibrações para o grão. Pratique o amor em todas as suas dimensões. Não deixe o amor secar jamais, ame sempre. Faça crescer essa semente dentro do seu espírito, certamente outros brotos serão influenciados e também germinarão. Veremos uma plantação de amor!
O terceiro passo é oferecer o calor do sol. O amor precisa de muita energia para sobreviver em meio a tanto desamor. Para se manter aceso é necessário alimentá-lo sempre com o fogo do amor, nunca permita que sua luz apague. Se por acaso perceber que ele está morrendo, pratique-o cada vez mais. Aí sim ele acende e voltará a brilhar.
O quarto passo é observar seu crescimento. Mas para que ele cresça saudável é preciso muito cuidado, pois as ervas daninhas podem aparecer e competir pelo espaço, destruindo o amor. Fique atento a todo tipo de pensamento negativo que brota da sua mente, esses parasitas tentarão sublimar o amor que luta pela sua sobrevivência. Podem infelizmente destruir tudo que foi plantado com muito amor. Bastante cuidado.
O quinto passo é colher os frutos do amor plantado que superou todos os obstáculos para viver. Será colhido na forma de amizade, estima, apreço, simpatia e afeto. E todo aquele que provar desse fruto levará consigo a semente pronta para germinar também. Por isso tudo, plante o amor, onde quer que você for.

sábado, 10 de junho de 2017

Memórias das lavadeiras do Rio Subaúma

“Eu não tenho mais a cara que eu tinha. No espelho essa cara já não é minha. É que quando eu me toquei achei tão estranho. A minha barba estava deste tamanho.” Nando Reis.
Ganhei de presente essa foto. Da minha querida tia e madrinha Jussara Pitanga, a qual tenho um enorme carinho e gratidão. Acho que deveria ter uns 10 anos, sei lá! Lembro apenas que essa foto foi tirada na praia de Subaúma, a cento e vinte quilômetros de Salvador (Bahia). Íamos sempre passar as férias nessa praia, toda a família. Momentos que jamais serão esquecidos. Hoje adulto entendo a importância desse local para a formação da minha personalidade, pois lá pude conviver com outra realidade, diferente da observada aqui na metrópole. Pude sentir a verdadeira liberdade, entendi a importância de estar conectado com a natureza e percebi também que existiam pessoas que precisavam muito mais do que eu, mas mesmo assim, com todas as dificuldades, nunca perdiam a alegria de viver. Gostaria que vocês as conhecessem e também aprendessem com elas, como eu fiz na minha velha infância.
Dessa época recordo com muita saudade e carinho das queridas lavadeiras que trabalhavam no rio Subaúma. Na década de oitenta era muito comum encontrá-las por lá. Surgi em meus pensamentos um momento que vivi junto com elas. Uma lição incrível. Vamos precisar voltar ao passado... Como já disse deveria ter uns 10 anos!
Era um dia de sol, mas nesse dia não conseguia ver o brilho desse astro. Estava um pouco triste pois havia brigado com um amiguinho, coisa de criança.  Sair para passear, ver os pássaros, as árvores, mas quando olhei para o rio lá estavam elas, as lavadeiras do rio Subaúma. Eu já conhecia a maioria delas!  Sentei na beira desse rio e pensei: Quanta alegria e felicidade elas esbanjam. O que mais me impressionava era o fato daquelas mulheres serem bastante pobres, muitas moravam em casas de barro e outras tantas tinham dificuldades para ter duas refeições por dia!  Mas apesar disso tudo, olhava para o rosto delas e percebia a alegria de viver em todas, sem exceção. Então refleti: Quanta alegria em lavar as roupas. Me aproximei do grupo e perguntei à elas: Vocês estão brincando de lavar roupas? Ao que uma delas respondeu: Minha vida é uma eterna brincadeira, não sei nem se vou comer hoje, mas estou viva, estou alegre, estou em paz. E lançou para mim a pergunta: Quer brincar com a gente? E eu não perdi tempo. Entrei logo na brincadeira também! Incrivelmente a tristeza infantil que estava dentro da minha alma naquele momento desapareceu. Minha luz voltou a brilhar, pude sentir novamente a alegria de viver. Diante disso pergunto a vocês. Onde está sua alegria de viver? Vamos pensar sobre isso.
Georges Bernanos, escritor e jornalista francês, disse: “Saber encontrar a alegria na alegria dos outros, é o segredo da felicidade.” Falou também a grande Madre Tereza de Calcutá: “À todos os que sofrem e estão sós, daí sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.”
É verdade, podemos encontrar alegria também ao ver o outro alegre. Quando percebi que as lavadeiras estavam alegres, meu cérebro se conectou com o delas, e reconheceu a alegria que estava dentro da minha alma, mas escondida. Precisava apenas ser despertada! Concordem que a alegria é contagiosa e precisamos transmiti-la cada vez mais, pois desta forma essa força irá transcender e envolver todos desse planeta. E até mesmo de outros!
Não posso deixar de citar também a querida Irma Dulce: “Façamos de cada dia da nossa vida um dia santo. Façamos tudo para nos santificar cada vez mais, servindo a Deus na pessoa do próximo, com amor e alegria.” Lembrem que essa Santa mesmo doente não perdia a alegria de viver para poder ajudar o próximo, conseguindo com isso incendiar de felicidade e fé a alma dos seus assistidos. Por isso emanem sempre a sua alegria, em qualquer circunstância!
Hoje adulto, quando percebo alguém triste ao meu lado, lembro sempre das queridas lavadeiras do rio Subaúma, que ao demostrarem sua alegria acordaram a alegria que dormia dentro da minha alma. Pois como disse o querido Guilherme Arantes: “Como eu sou feliz, eu quero ver feliz. Quem andar comigo, vem.” 
Bruno Pitanga - arquivo pessoal.