segunda-feira, 5 de março de 2018

Quebra-mar

Ouvir falar que o amor pode matar
Aniquilar, boicotar sem contestar
Não sei, não quero acreditar

Ouvir dizer que o amor pode fazer adoecer
Apodrecer, enraivecer e falecer
Não sei, não quero crer

Ouvir depois que o amor só a dois
Nesse caso, nenhum dos dois
Não sei, não queremos ficar a sós

Ressuscitar, bem-estar e liberdade para amar
Deixe o amor se manifestar
Da forma que ele desejar

Escutei da brisa do mar
Que amar significa ir além-mar
Nunca se subestimar

Escutei da estrela do mar
Que regenerar é o segredo para o amor prosperar
Sempre se renovar

Escutei do quebra-mar
Que quem ama se protege do azar
Escudar para se salvar

Ama quem sabe amar o âmago do amor
A alma do amar está em saber acalmar o mar
Amo aquele que conhece o imo íntimo do amor





terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Reflexões de um carnaval

Em meio à multidão fico pensado o que estou fazendo ali. Me sinto totalmente fora de contexto. Fora de sintonia com a maior festa de rua do planeta. Até tento me ligar, mas não consigo. Me sinto um verdadeiro peixe fora d'água, bom seria que esse peixe criasse pernas e saísse correndo para longe, mas para muito longe mesmo. Só que até para sair dessa festa é difícil, pois moro dentro do circuito do carnaval, e essa festa vem até mim. Preciso de muita meditação para suportar essa tamanha loucura. Até tento colocar uma máscara e arriscar uma associação, mas nada, literalmente nada. Fico pensando nos meus pés, no tempo gasto para andar 100 metros, na destruição dos meus cílios do ouvido que captam o som, pois sei que a cada trio elétrico menor será minha capacidade auditiva. Enfim, penso também na minha sobrevivência. 

Penso no cordeiro, pois até tenta tirar o pecado do mundo. O pecado da luxúria. Reverenciei uma senhora de mais ou menos setenta anos puxando aquela corda grossa para ganhar míseros 51 reais. Realmente o pecado da soberba que tenta envolver algumas pessoas nessa festa cai por terra. Pois aquele que conseguir captar a agonia daquela senhora vai perceber que certamente ela queria estar em sua humilde casa. Pensei em presenteá-la com essa quantidade em dinheiro, mas quando tomei a iniciativa ela já tinha desaparecido do meu campo visual.     

Penso em uma criança de quinze anos que aparentava já ter comemorado uns vinte aniversários sendo cortejada por um folião. No momento que ele tentou puxar a garota para seus musculosos braços seus pais apareceram, e uma roda da discórdia foi formada. Todos queria assistir ao espetáculo. Não era mais importante o artista que passava lindamente, mas os socos e pontapés que eram lançados no tempo e no espaço. Tentei entender quem estava com a razão.

Penso em duas garotas que encerravam ali a sua amizade. Uma gritava para outra aquilo que mais parecia o refrão de um desses péssimos hits do carnaval. "- Eu não peguei ele. Já te disse, eu não peguei ele." A outra chorava muito. Tentei uma conversa com elas. E as duas juntas cantaram em coro, num dueto. "- Não se meta, pois se não vou meter a porra em você." Calei minha boca e sai pensando: Que porra é essa?

Penso em uma mulher lindamente arrumada com um salto de uns quinze centímetros tentando chegar ao seu camarote. Coitada. Certamente quando chegasse no seu coliseu estaria com a cara do carnaval. E o pior, lá estaria presa, presa para sempre. Um local onde não se pode sair para fazer nada, e se sair não seria mais bem-vinda, seria repudiada até a alma. A única forma de sair dessa prisão é morta! Aprisionada em uma festa que propaga a liberdade, a diversidade. Lamentável. 

Penso nas pessoas que queriam beber outra marca de cerveja, refrigerante ou água. Mas que eram obrigadas a consumir uma determinada marca. Certamente os donos da lei não pensam na população, mas apenas em seus interesses pessoais medonhos e redondos.

Penso em um pai com seu filho sentado sobre seus ombros durante a folia, mas não penso na dor dele por estar suportando uns 40 kg, não! Penso na educação, no estímulo a violência ali representada, pois o pai entregou ao seu pobre filho um martelo inflável e autorizou o jovem a bater agressivamente na cabeça de todos que por ali passavam. Claro que também fui batizado pela criança, mas não perdi a oportunidade de retirar o brinquedo da mão do filho e acertar a cabeça do pai. O mesmo sem entender nada pediu desculpas e terminou com a brincadeira do menino.

Penso em alguém que apareceu na minha frente e tentou me roubar um beijo. Sem nem mesmo querer saber se eu estava com outro alguém, se estava afim, enfim. Acho massa os beijos do carnaval, mas como já dizia minha avó “. Quando um não quer, dois não brigam. ”

Passei quatro horas no carnaval e pensei bastante. Depois de compartilhar meus pensamentos com um grupo de amigos. Falaram: "- Mas Bruno, carnaval é assim mesmo."

Pensei: Será?

Vou ter que pensar mais para responder.

Bruno Pitanga

Bruno Pitanga, arquivo pessoal. 



domingo, 7 de janeiro de 2018

Sonho vindouro

Vejo a vida como se fosse um barquinho a vela a navegar
Nós somos a tripulação tentando encontrar a direção
Os remos serão a salvação para a guarnição não naufragar
Mas a vida, a vida será o barco que navega a mercê da oração

Todos os tripulantes precisam seguir adiante
Estão aflitos, buscam o alívio para seus conflitos
Já estão cansados do mar inconstante
Não suportam mais os muitos intemperes malditos

Saber usar os remos será a atribuição da tripulação
Os remos que irão remanejar a direção
Conduzirão para a proteção da introspecção
Pensar, meditar e ponderar a melhor forma da transcursão

A apreensão será menor quando souberem agradecer
Ao vendaval brutal fatal trivial
Que conduz seduz induz à luz
Luminosidade que traz humildade a mais

A vida terá sentido e será sentida assim
Quando servir ao seu sinônimo se tornar seu serviço
Vir e dirigir-se a ouvir aquele infeliz
Surgir e emergir para agir assim e ser feliz

Sim, veremos o porto seguro
E avistaremos terra para plantar o futuro
Nascedouro e duradouro
Refúgio para o sonho vindouro


sábado, 2 de dezembro de 2017

Crônicas da vida (Um império em casa).

Um império em casa

Quando cheguei em casa percebi que não estava sozinho. E ao me aproximar da varanda não acreditei naquilo que os meus olhos viam, um lindo enxame. Fiquei preocupado e tenso, tratei logo de fechar a porta. Imediatamente liguei para alguns contatos. O primeiro logo disse: Vamos exterminar com elas, você e sua cachorrinha estão correndo risco de vida. Fiquei mais tenso ainda. Liguei para outro contato, esse foi mais sensato, disse: Elas somente estão migrando, aguarde dois dias que elas irão embora, caso elas permaneçam não mate, apenas remova elas para outro local. Mas o que mais gostei foi minha vizinha. Quando mostrei o enxame ela ficou literalmente azul. E disse: Elas somente pousam em local que existe paz, gratidão e harmonia. Concordei com ela, pois minha casa é meu santuário. Enfim, vou aguardar elas partirem. Só sei que estou lisonjeado em receber uma rainha e todo o seu exército em minha casa. Irei respeita-las. Imagino que estejam em migração, e encontraram aqui o aconchego necessário para depois continuarem sua viagem. Sei que existe por trás disso uma grande lição da mãe natureza. Que devemos respeitar o espaço do outro, pois agindo dessa forma nunca seremos atacados. Só atacamos quando somos agredidos. Por isso respeitem sempre a forma do outro pensar, agir e ser. Pois desta forma também seremos respeitados. Somente assim viveremos em paz. Gratidão por essa experiência.

Enxame no teto da varanda (foto arquivo pessoal).

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Existir e Viver

Existo quando desconheço minha capacidade para servir a humanidade.
Mas vivo quando reconheço meu papel diante de um mundo doente.

Existo quando não consigo me comover com o sofrimento e o lamento.
Mas vivo quando enxergo com os olhos d´alma e acolho com muita calma.

Existo quando meu coração apenas pulsa repulsa e expulsa a benquerença.
Mas vivo quando meu peito vibra apreço e reconheço que não tem preço.

Existo quando apenas sinto a dor do trabalho árduo.
Mas vivo quando meu ofício e serviço não representa sacrifício.  

Existo quando o relógio é o único refúgio para fugir do refletir. 
Mas vivo quando esqueço o tempo e amanheço noutro-tempo.

Existo quando a solidão faz lembrar da importância do perdão.
Mas vivo quando existe a clemência em nossa convivência.  

Existo...
Vivo...

Existo quando hesito 
Vivo quando convivo

Vivo com êxito
Existo sem objetivo 

Imprudência na existência
Indulgencia na vivência 

Vivo de aparência
Existo com frequência

Vivo sozinho
Existo para muitos

Vivo me perguntando
Existo sem respostas

Vivo?
Existo?

Existo na vida.
E vivo para existir.

Bruno Pitanga

Foto: Arquivo pessoal.



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Héroi

O herói que mora dentro de nós.
Sei que tem uma força, uma arma secreta.
Mas ele está fraco, calado, refém do poderoso ego.
Como se estivesse kriptonizado, enfraquecido.

Ele precisa despertar, desadormecer para levantar voo. 
Mas sua supremacia foi banida, seus dons dormem.
Perdeu as suas esperanças pela humanidade e está confuso.
Rendeu-se ao mundo sem rumo.

Sei que deseja ocupar seu espaço novamente.
Quero ajuda-lo a acordar, talvez com um beijo fraternal.
Ou mostrando o caos que está vivendo o planeta.
Talvez assim ele perceba sua importância para salvar o universo.

Quero reviver o herói do perdão que repousa dentro de mim.
Seu principal inimigo é a condenação que sempre questiona seu poder.
Brigam feito cães raivosos para ocupar o império da alma.
Mas o perdão não luta, tem misericórdia, e acaba com a discórdia.

Preciso animar o herói do amor que esfriou dentro de mim.
Seu arqui-inimigo é a animosidade que subjulga seu potencial. 
Engalfinham-se iguais aos lutadores em um combate sangrento e mortal.
Mas o amor nunca morre, tem respeito, e toca o espírito do adversário.

Desejo estimular o herói do altruísmo que descansa dentro de mim.
Seu mortal inimigo é o egoísmo que neutraliza sua soberania.
Disputam o protagonismo no palco da consciência plena. 
Mas o altruísmo sempre vence, tem abnegação, e finaliza com razão.

Almejo reanimar o herói da vida que jaz dentro de mim.
Seu fatal inimigo é o desamino e a depressão que paralisam sua vitalidade.
Reclamam o controle e o comando da mente de todos os seres viventes.
Mas a vida nunca desiste, tem vigor, e sobrevive ao conflito com muito fervor.

O herói e o vilão disputam seu lugar na alma.
Herói que muitas vezes é calado pelo vilão. 
Precisamos escudar essa força que nos habita. 
O herói que mora dentro de nós.